segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ao meu passado:

vc vai sofrer, é importante q vc saiba disso; e é bom eu ja começar essa carta com um choque, pois aí vc lerá; e aqui quem escreve sou eu e vc, pois aqui eu escrevo sobre as cosias q vc fez, é vc no futuro quem desenha estas letras nesta folha de caderno e envia não se sabe para onde; quem
sabe eu possa rasgar isso aqui e jogar ao vento, e quem sabe o vento não leve isso a você.

neste exato momento vc está olhando o céu cinza da sua cidade cinza e vc está cinza, essa cidade tomou conta de vc; o caos dela transformou você, acredite, esse menino todo calmo q lê isso neste exato momento, dentre alguns anos, será ao mesmo tempo caótico, e ao mesmo tempo tedioso, assim como o cinza; o cinza é tedioso e calmo, como pode ser vc caótico e calmo, é simples; quando uma bomba cai, primeiro ela destrói tudo, depois ela levante uma nuvem de poeira, e vc é exatamente aquele silêncio depois da destruição, o silêncio depois dos gritos, o silêncio depois de sonhos destruídos.

seria bom se vc não fosse um fanático por idealizações, mas não posso escrever sobre isso, vc sou assim, eu é assim; idealiza, e idealiza demais, e acredita q se casará ainda jovem, para viver muito tempo ao lado do seu amor, mas, leia bem, aqui, no futuro o amor ja morreu para você, o amor ja não existe, e ja faz quase um ano q vc não diz q ama ninguém, nem a sua mãe; no caso, ela vai quebrar as suas pernas, e dizer coisas horríveis a você, o seu pai será paciente, como sempre foi, e vai perceber q precisava te dar atenção na infância, mas, quando ele perceber isso, vc ja será grande,e só conversará sobre algumas músicas com ele, e pedirá dinheiro.

vc se transformará em uma pessoa muito materialista,e saiba q toda essa sua inteligência será esquecida no futuro, vc será a sociedade das aparências,e sim, o mundo todo estará dentro de você, a sociedade, a cultura, o caos cotidiano, a insanidade, a depressão, o stress absurdo; vc será uma bomba explodida, o silêncio mais profundo, e de repente, um grito de socorro ecoará pelo vento, vc será o silêncio, vc será o grito.

lembre-se sempre q família é a base de tudo, mas q nem sempre vc poderá contar com eles, a sua família realmente não te entende, e nunca entenderá, o seu pai e a sua mãe são mais tradicionais do q vc imagina, e o resto da sua família, bom, vc ja sabe como eles são, e ficará pior; mas nunca haverá desunião, a família é a base de tudo, e enquanto vc puder, busque nela o amor da sua vida, apaixone-se por ela.

seus amores foram frustrados, todos, até agora; e não acredito q haverá algum q não seja, o último foi avassalador, e levou tudo o q vc tinha, tudo; os outros foram utópicos, como eu ja disse, pare de idealizar, não existem contos de fada, e aquelas belas histórias da infância virarão contos de terror, ou no mínimo literatura fantasiosa, vc não lerá isso para os seus filhos.

queria q vc brincasse mais na infância, e q tivesse amigos da infância, hoje em dia vc tem poucos amigos, e quase nenhum liga pra saber como vc está; a melancolia sempre toca você, e vc semrpe diexa esse toque invadir o seu ser, e isso te transformará no q vc é hoje em dia; uma máquina, sem sentimentos, sem vida, sem amor; e sem ninguém.

domingo, 12 de abril de 2009

Fácil/Difícil.

minha mãe realmente não sabe quem eu sou, realmente; ela acaba de soltar mais uma de suas sábias pérolas: a coisa mais difícil de se achar é alguém q goste de vc; não me diga isso, mamãezinha, eu ja sei, é como ensinar um velho pedreiro a levantar um muro, como ensinar um passarinho a não se perder por entre os prédios, eu já sei; encontrar alguém q te ame não é fácil, difícil é conviver com o sentimento de ter encontrado esse alguém, mas ter disperdiçado-o, não ter dado o valor merecido a alguém q merecia; difícil é amar alguém e ser amado.

Bússola.

perdi o norte, e assumir isso não é a coisa mais fácil do mundo; é assumir q se está perdido, q não há direção para seguir; e também q não há objetivo de onde chegar, nem como chegar; eu sempre tive tudo, sempre, nunca precisei lutar por nada, nunca precisei de força de vontade, e nem força nunca tive, sempre a tiveram por mim, minha vida foi fácil; mas vejo q não sou só eu, vejo uma geração toda assim, mas não estou aqui para falar dos outros, e sim de mim; sem norte, sem direção, sem rumo, esse sou eu, um menino perdido no meio de um caminho,e q constantemente cai, e não tem como levantar, de queda em queda vou me perdendo, e de vez em quando me encontrando em um outro alguém, de vez em quando me encontrando nos objetivos de outro alguém, e sendo levado por outro alguém; não q seja fácil eu me influenciar pelos outros, o problema é ser apegado, e se apegar rápido é a questão; quando o objeto de apego se vai, me perco, e perco meu norte, e começa este ciclo, todo outra vez.

sábado, 11 de abril de 2009

(des)Encontros.

começou com um simples e singelo Posso te ajudar, e de repente era como se fossemos amigos de infância, daqueles amigos q sofrem do mesmo problema, q os pais são exatamente iguais, q ja tiveram os mesmos sonhos, e q tantos planos juntos fizeram; foi assim, não sei em qual parte da conversa me perdi, ou em qual parte me envolvi mais, sei apenas q ao nos despedirmos e perguntarmos qual o nome do ouvinte eu ja sabia q éramos melhores amigos, e vc foi; por cerca de 30 minutos vc foi minha melhor amiga, e olha só, eu só sei o seu primeiro nome, só sei dos nossos pontos em comum, e eu nem sei se um dia eu te verei de novo; vc, com pastas na mão, uma bolsa enorme, falando pelo celular, procurando um bilhete único, e grávida, e eu, do outro lado da catraca do ônibus, vendo esta cena, no mínimo, desesperadora, tentei te ajudar, e o q fez eu me identificar com vc foi... foi... não sei, não sei se foi a sua melissa violeta, ou se foi ver vc toda perdida, precisando de uma ajuda q não se saberia de onde viria; então, resolvi estender a minha mão e te ajudar, e foi assim q eu disse Posso te ajudar; é isso q eu espero, essa mão q me ajude em um momento de caos, espero ainda ouvir um Posso te ajudar; é só isso, quero um eu mesmo, só q em outro corpo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Prédios, buzinas e o coração.

eu sou a minha cidade; eu sou a minha são paulo, e a mesma concretude q se vê por aqui, se vê em mim também. não há rios q correm em mim, há no máximo um rio morto e poluído q corre pelas minhas veias; não há terra fértil em meu coração, há apenas asfalto, onde células-carro correm, e correm em uma velocidade tamanha q não conseguem analisar as paredes q as cercam; há pressa, há desespero; há também aquela angústia, e aquela solidão q vc encontra nas grandes cidades; há a vontade de acabar logo com tudo, de destruir; a autodestruição sempre me acompanhou;/ há caos, e sou caos, sou caótico, e talvez quem ande comigo nunca tenha percebido, mas sou um turbilhão de informações, sou um turbilhão de sons, sou um turbilhão de pessoas e mentes em um mesmo segundo, sou a saudade dos tempos onde tudo era verde, e no rio havia peixes e seres vivos; tenho é saudade dos tempos das minhas avós; meu céu não tem estrelas, tem, no máximo, alguns poluentes q saem dos carros e das fábricas; no meu chão não tem vida, na minha vida, não tem chão; aqui o fator cronológico não faz diferença, ontem ja foi faz tempo, mas um ano atrás ainda está ao meu lado, caminhando de mãos dadas comigo; eu sou o que a minha cidade é, eu sou São Paulo em todos os aspectos, tenho uma São Paulo dentro de mim, e não apenas uma, tenho muitas, pois minha cidade não é uma só. é todas, no mesmo corpo.